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A Humaniza vai coordenar Conselho de Dança Internacional da Unesco no Brasil


Projetos sociais e trabalhos voluntários, como todos sabem, são essenciais para o desenvolvimento de uma sociedade e para ajudar a fazer frente às desigualdades. Ações que visam o desenvolvimento social, educacional e profissional de indivíduos, mais do que criar oportunidades que muitas vezes não apareceriam sozinhas, formam cidadãos melhores ao dar esperança a cenários caóticos. Uma importância extremamente reconhecida, mas que, diante principalmente de crises internacionais, está cada vez mais difícil manter esses mesmos projetos que transformam a cara do mundo.

A Unesco, no sentido de combater essas adversidades, encontrou em Campinas meios de ampliar ações humanitárias pelo Brasil, mais especificamente pela Agência Internacional de Desenvolvimento Humanitário - Humaniza, que desenvolve projetos sociais em diversas áreas. “A Humaniza tem cerca de 30 anos de história e, ao longo dessa jornada, posso listar conquistas que fizeram diferença tanto no Brasil quanto no Exterior”, afirma o presidente e fundador da instituição campineira, Vicente Pironti. “Mas se eu falar apenas disso, estaria contando somente o lado bonito desses 30 anos, e é impossível esquecer que a Humaniza tem uma trajetória de sofrimento, com enormes períodos de grandes dificuldades financeiras e muitos obstáculos para eliminar, principalmente quando o assunto é quebra de paradigmas”, completa.

Pironti lembra disso para explicar porque a Companhia de Dança Humaniza, importante braço da Agência Humanitária criado em 2012 e que visa a inclusão social de pessoas com deficiência por meio da dança, foi escolhida para coordenar o Conselho Internacional de Dança (CID) da Unesco no Brasil. Portanto, a partir desta sexta-feira (27), quando acontece a cerimônia oficial de apresentação do comitê às 19h30, no Colégio Liceu Salesiano, Campinas será a sede brasileira de apoio ao desenvolvimento de projetos de dança e arte inclusiva no País.

“O CID Unesco tem o objetivo de fomentar e fortalecer a dança, apresentando os diversos benefícios que ela pode trazer para os indivíduos. E o CID sempre quis estar presente no Brasil, mas a ideia era entrar com o fim social, para executar trabalhos exclusivos nessa área. E a Humaniza faz isso há anos, ganhou diversos prêmios, e foi convidada para coordenar o projeto depois da avaliação de muitos critérios”, diz o diretor do CID Unesco Brasil, Pablo Fernández.

Fundado em 1973, o CID (International Dance Council, em inglês) é uma organização oficial reconhecida mundialmente pelos governos para representar todas as formas de dança nos países membros da Organização das Nações Unidas (ONU).

Exatamente por isso, está presente em mais de 150 países, com bases na Grécia e na França. A instalação do comitê no Brasil funciona “como uma chancela de ordem social”, segundo Pironti, que será o vice-presidente do CID, credenciando a Companhia de Dança Humaniza a formar empreendedores e bailarinos ligados a ações de dança, assim como desenvolver projetos a nível nacional de inclusão de pessoas com deficiências nas artes.

“É como se tivéssemos recebido o certificado ISO da dança. Tanto que o CID já solicitou que seja realizado um festival nacional de dança inclusiva no ano que vem, entre abril e maio. E, depois disso, a ideia é selecionar um grupo de bailarinos para ir à Grécia participar de congressos e promover ações. O objetivo é desenvolver um plano de ação para o Brasil de forma geral e a longo prazo”, conclui Pironti.

Reconhecimento

Rosemary Aparecida Longo, de 55 anos, será a primeira bailarina cadeirante do Brasil a receber a chancela do CID Unesco. Ela, inclusive, vai se apresentar na cerimônia de apresentação do comitê, que será presidido por Keyla Ferrari, criadora da Companhia de Dança Humaniza e reconhecida internacionalmente pelo trabalho desenvolvido na dança com pessoas com deficiência. “É uma honra e uma responsabilidade enorme. Mas fico muito feliz por ver um trabalho tão bonito ser reconhecido, principalmente porque, para mim, funcionou como um processo de autoconhecimento”, diz Rosemary. Ela tornou-se deficiente após um acidente aos 17 anos, quando sofreu uma lesão parcialmente neurológica que comprometeu movimentos e funções. Há seis anos, porém, ela vem trabalhando com Keyla em coreografias com a cadeira de rodas.

http://correio.rac.com.br/_conteudo/2015/11/entretenimento/401625-campinas-sedia-movimento-inclusivo-da-unesco.html